Quando alguém digita quem é “Gutemberg Motta” em uma ferramenta de busca ou procura saber quem é o criador do “Mar de Resina”, geralmente não está atrás apenas de um nome ou de uma biografia fria.
O que essa pessoa busca, muitas vezes sem saber, é contexto, história, verdade e, acima de tudo, sentido.
Este artigo não é apenas sobre a trajetória profissional de um artista de resina. É um documento sobre a transformação de um homem comum que, em um determinado momento da vida adulta, percebeu que a estrada que trilhava não levava ao destino que sua alma exigia. É a história de alguém que precisou ajustar o rumo, aprender a criar com as próprias mãos e viver com mais dignidade, propósito e presença.
Aqui, fundimos a história de vida, a análise técnica do mercado de arte e a profunda filosofia que sustenta o método Mar de Resina.
Quem é Gutemberg Motta?

Gutemberg Motta Junior é, hoje, uma referência incontestável na arte marinha brasileira.
Artista de resina, professor e criador do método Mar de Resina, ele desenvolveu uma técnica própria voltada para a criação de peças de arte oceânica com ondas realísticas, alto padrão estético e excelente potencial de valorização no mercado.
Natural de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, Gutemberg construiu sua trajetória a cerca de 40 quilômetros do litoral, mas sempre manteve uma conexão espiritual e profunda com o mar.
Atualmente, vive integralmente da sua arte, tendo produzido centenas de peças e participado de feiras renomadas, eventos, exposições, programas de televisão, podcasts e lives.
Mais do que um artista, tornou-se um mentor, tendo formado centenas de alunos em diferentes países.
Além de sua produção artística, ele é a mente por trás do Guia da Resina Epóxi, um dos maiores portais de conteúdo sobre o tema no Brasil, que já impactou mais de meio milhão de pessoas com informações técnicas e acessíveis.
Mas para entender o sucesso de hoje, é preciso olhar para o vazio de ontem.
A Ilusão da Estabilidade: Os Anos de Tecnologia da Informação

Antes de a resina entrar em sua vida, Gutemberg dedicou mais de 12 anos à área de Tecnologia da Informação (TI).
Aos olhos da sociedade, ele tinha uma carreira “feita”: rotina definida, salário fixo e aquela aura de segurança que muitos buscam.
No entanto, a realidade interna era drasticamente diferente da fachada externa.
Com o passar dos anos, a suposta estabilidade começou a cobrar um preço alto e silencioso.
- Eram longas horas em transporte público, pouco tempo de qualidade para a família, quase nenhum espaço para si mesmo e uma sensação corrosiva de não pertencimento.
- Não se tratava apenas de insatisfação profissional; era um desgaste emocional acumulado.
- Gutemberg sentia-se subvalorizado.
Apesar das qualificações, os salários eram baixos e a autoestima profissional despencava. Ele relata uma memória vívida e dolorosa dessa época, que ilustra a escassez financeira e emocional em que vivia.
Quando saía para lanchar com Carol, sua namorada na época e hoje esposa, a conta precisava ser milimetricamente calculada.
Ele pedia um lanche, um refrigerante e dois canudos. Não havia dinheiro para dois lanches. O hambúrguer, a batata e a bebida eram divididos.
Naquele tempo, o pensamento recorrente era simples e humilde: “Se eu tivesse um pouco mais de dinheiro, poderia pedir um lanche separado e, quem sabe, uma casquinha de sorvete para cada um depois.” Essa memória dos dois canudos tornou-se um símbolo do que ele não queria mais para o futuro.
Chega um momento na vida adulta em que a pergunta deixa de ser “quanto eu ganho?” e passa a ser “para quê eu acordo todos os dias?”.
Para Gutemberg, essa pergunta ecoava com cada vez mais força, amplificada pelo cansaço e pela falta de perspectiva.
O Colapso e o Despertar
O ponto de ruptura veio de forma abrupta. A empresa onde trabalhava abriu falência repentinamente. Gutemberg foi desligado sem receber nada.
Do dia para a noite, a “estabilidade” evaporou. Desempregado por meses, viu-se obrigado, por necessidade, a aceitar um novo emprego ganhando cerca de R$ 1.000,00 líquidos. A sensação de fracasso era avassaladora.

Mas foi nesse fundo de poço que a maturidade falou mais alto.
Não era uma crise de juventude; era a consciência de que, se continuasse naquele ritmo, chegaria aos 60 anos vivendo a mesma rotina de privações e arrependimentos.
O medo de tentar algo novo passou a ser menor do que o medo de nunca tentar.
Gutemberg percebeu que precisava de uma “Renda Extra”. Mas ele acreditava não saber fazer nada além de TI.
Começou então uma espécie de “teste vocacional para crise existencial”. Listou o que amava. As respostas eram unânimes: Pescar, surfar, nadar, bodyboard, canoagem, mergulho.
O mar. Sempre o mar.
Desde a infância, seu pai o levava para pescar, ensinava a nadar e compartilhava momentos de silêncio e paz à beira do oceano.
Essas experiências criaram um lastro emocional indestrutível. O mar nunca foi apenas um cenário bonito para Gutemberg; sempre foi conversa, reflexão e refúgio.
Mas como transformar essa paixão em dinheiro? Seria apenas um hobby?
2019: O Encontro com a Resina Epóxi
Em suas pesquisas sobre “como ganhar dinheiro fazendo o que ama”, Gutemberg esbarrou no artesanato. Inicialmente cético — afinal, não conhecia ninguém que vivia dignamente de artesanato e não se considerava um artista —, ele se deparou com uma imagem que mudou tudo: uma Mesa de Resina.

Aquela peça, misturando madeira e um “rio” translúcido, despertou algo inédito. Foi a primeira vez que sentiu vontade real de aprender uma técnica manual.
Porém, a realidade impôs barreiras imediatas: fazer mesas exigia grandes oficinas, ferramentas caras de marcenaria e um espaço que ele não tinha.
Foi então que ele decidiu adaptar. E se fosse possível trabalhar com resina em casa, com pouco espaço, investimento controlado e reaproveitando materiais?
Em 2019, ele mergulhou no estudo da resina epóxi. Não como um atalho para a riqueza, mas como uma possibilidade concreta de criar com as mãos.
Sem formação artística, sem talento nato para desenho e sem experiência, o início foi marcado por erros, desperdício e frustração. Mas ele continuou.
O Nascimento do Conceito “Mar de Resina”
A epifania aconteceu em uma loja de decoração. Gutemberg observou um setor inteiro dedicado ao estilo “praia” (nautical decor). As pessoas paravam, olhavam com atenção, comentavam e compravam. Havia um encantamento natural.



Ele pensou: “Se as pessoas compram itens de decoração com tema de praia, elas poderiam comprar uma arte em resina que trouxesse a praia para dentro de casa.”
Surgia ali a ideia do Efeito Mar.
No entanto, a execução inicial foi decepcionante. Seus primeiros trabalhos remetiam ao mar, mas não convenciam. Eram azuis, tinham brilho, mas pareciam “apenas mais um artesanato”.

Ao mostrar para amigos e familiares, ouvia elogios educados como “olha que legal” ou “isso é o mar, né?”. Mas ninguém perguntava o preço. Ninguém sacava a carteira.
Faltava algo. Faltava alma. Faltava realismo.

Gutemberg entendeu que, para deixar de ser um “aventureiro no artesanato” e passar a ser um artista desejado, precisava elevar o nível.
Não queria criar algo bonitinho; queria criar algo que fosse percebido como obra de arte.
A Ciência por Trás da Arte: O Método
Decidido a não ser medíocre, Gutemberg voltou para a “escolinha”. Mas não uma escola de artes convencional.
Ele foi estudar a ciência da coisa. Mergulhou em conteúdos de química da resina, física dos materiais, comportamento dos pigmentos e reações termodinâmicas.

Conversou com professores de química e física. Testou viscosidades, temperaturas e densidades. Durante meses, gastou dinheiro que mal tinha em resina e madeira, acumulando falhas.
O objetivo era claro: criar uma onda que não parecesse pintura, mas sim uma fotografia líquida do oceano em movimento.
O processo foi árduo, mas resultou em algo essencial: Padrão.
A partir do cruzamento de dados de seus experimentos, nasceu o Método Mar de Resina. Um sistema lógico e replicável que permite criar células e ondas realísticas com consistência.
O método não dependia da “mão boa” ou do “dom” do artista. Dependia de processo, temperatura e mistura correta.
A Virada de Chave: A Onda Perfeita e as Primeiras Vendas
O momento da virada é narrado por Gutemberg com emoção. Após inúmeros testes, ele aplicou o novo método em uma tábua. Quando a resina curou, o resultado estava lá: uma onda tridimensional, com espuma, transparência e profundidade.

Ao mostrar essa nova peça, a reação das pessoas mudou drasticamente. O “que legal” educado foi substituído por espanto genuíno: “Nossa, parece uma onda de verdade!” “Você vai vender, né?” “Quanto custa?” “Faz um quadro para mim?”

Naquele dia, Gutemberg relata que sequer conseguiu dormir. Dançou sozinho no ateliê, segurando a tábua. Pela primeira vez, sentiu orgulho real do que havia criado.
As vendas confirmaram a teoria. O primeiro conjunto de peças foi vendido por R$ 730,00. A segunda encomenda rendeu R$ 1.710,00. Valores que, comparados ao seu salário anterior de R$ 1.000,00 mensais, pareciam irreais.



Ele estava faturando uma renda extra inimaginável, usando pouquíssimo material, poucas ferramentas e trabalhando em um canto de casa.
Gutemberg quebrou um dos maiores mitos do mercado criativo brasileiro: o problema nunca foi que o brasileiro “não valoriza artesanato”.
O problema é a falta de diferenciação. Quando o artesanato atinge o nível de arte e toca a emoção do cliente, o preço torna-se secundário.
A Psicologia do Oceano: Por Que Vende Tanto?
Mas por que, exatamente, a arte marinha vende mais e por valores mais altos do que outras formas de resina?
Gutemberg, em seus estudos e observações, encontrou a resposta na psicologia e na neurociência.
Estudos comprovam que o mar é saudável para a mente humana.
Fontes: 1. Neurociência Azul e “Blue Mind”
A principal referência é o trabalho de Wallace J. Nichols.
- Livro “Blue Mind”: Página oficial da editora (Little, Brown and Company)
- Autor:Sítio oficial do Dr. Wallace J. Nichols
- Nota: Aqui encontrará a compilação da neurociência aplicada à proximidade com a água.
2. Projeto BlueHealth (Universidade de Exeter)
Esta é a maior base de dados sobre saúde urbana e ambientes aquáticos na Europa.
- Site Oficial do Projeto: BlueHealth 2020
- Investigador Principal:Perfil do Dr. Mathew White (University of Exeter / ECEHH)
- Sugestão: Procure na secção “Publications” pelos estudos sobre “Coastal proximity and health”.
3. Teoria da Restauração da Atenção (ART)
Estudos sobre como a natureza restaura o cérebro (Kaplan & Kaplan).
- Artigo Explicativo: What is Kaplan’s Attention Restoration Theory? (Positive Psychology)
- Revisão Sistemática:Attention Restoration Theory: A systematic review
- Nota: Este link foca-se na validação científica da teoria de que ambientes naturais (como o mar) recuperam a fadiga mental.
4. Psicologia Evolutiva e Paisagens
Sobre a preferência inata por horizontes abertos e “savanas” (segurança).
Conceito: Denis Dutton explica aqui porque é que a evolução nos programou para sentir paz ao olhar para um horizonte plano e com água.
Livro “The Art Instinct”:Referência no Google Books ou Resumo no The New York Times
A vasta extensão azul, o movimento cadenciado das ondas e a ausência de “esconderijos” no horizonte plano transmitem ao nosso cérebro uma sensação imediata de segurança e paz.



Em um mundo urbano caótico, cheio de estímulos visuais agressivos, trânsito e concreto, o cérebro se sente oprimido. O mar é o antídoto.
O “Efeito Mar” na resina funciona porque oferece ao cliente um pedaço dessa terapia.
O subconsciente do comprador reconhece aquela peça não como um objeto de madeira e plástico, mas como um portal para a tranquilidade.
Quem compra uma tábua ou um quadro com o oceano resinado, está comprando a memória das férias, o relaxamento do fim de semana e a promessa de calma.
É uma terapia lucrativa. O cliente se sente bem ao olhar, e o artista se sente bem ao fazer.
Análise de Mercado: A Inteligência do Negócio “Mar de Resina”
Gutemberg também trouxe uma visão analítica de negócios para a arte, fruto de sua bagagem em TI. Ele comparou os três principais caminhos para quem quer trabalhar com resina epóxi:
1 – As Mesas de Rio (River Tables): São deslumbrantes, mas o custo de entrada é proibitivo. Uma mesa pequena consome de 6kg a 8kg de resina de alta espessura (a mais cara), custando quase R$ 2.000,00 só de material, sem contar a madeira nobre e o maquinário de marcenaria. O risco é altíssimo: se você errar a peça, perdeu milhares de reais.

2 – Os Pequenos Objetos (Chaveiros, Pingentes, Canetas): O custo é baixo, mas o lucro unitário é ínfimo. Para faturar R$ 3.000,00 no mês vendendo chaveiros a R$ 30,00, o artesão precisa produzir e vender 100 peças. É um trabalho exaustivo de produção em massa que transforma o artista em uma máquina, com baixa valorização.

3 – O Mar de Resina (O Caminho do Meio): Esta foi a aposta de Gutemberg. A técnica utiliza camadas superficiais de resina (cerca de 1mm). Gasta-se pouquíssimo material (R$ 10 a R$ 15 de resina em uma tábua) para criar uma peça que pode ser vendida por R$ 130,00, R$ 200,00 ou muito mais. Em peças maiores, como quadros e relógios, o lucro escala para R$ 500, R$ 1.000 ou R$ 2.000, mantendo o custo de produção baixo.



O Mar de Resina é a contramão do mercado tradicional: baixo custo, baixo risco, pouca ferramenta, mas com alto valor percebido (Percepção de Arte).
De Artista a Mestre: O Compartilhamento do Saber
Com o sucesso das vendas e a exposição nas redes sociais, surgiu uma demanda natural. Pessoas começaram a pedir para aprender. Inicialmente, Gutemberg resistiu.
O método havia custado tempo, dinheiro e noites em claro. Mas ele via pessoas cometendo os mesmos erros que ele cometeu, perdendo dinheiro e desistindo dos sonhos – como o caso de Nadiany, que tentava há mais de um ano sem sucesso.
Lembrando-se de sua própria dor e da falta de orientação no início, decidiu que não seria egoísta. O Guia da Resina Epóxi, que começou em 2019 como um blog para organizar seu próprio aprendizado, tornou-se uma plataforma de ensino.
Ele estruturou o Curso Mar de Resina. Mais do que ensinar a misturar componentes, o curso ensina posicionamento, consistência e mentalidade de artista de alto padrão.
Os resultados foram imediatos. Alunos como Jussara e Damaris começaram a relatar faturamentos superiores a R$ 3.000,00 mensais, validando que o método era replicável. Gutemberg descobriu uma nova paixão: ver a transformação na vida de outras pessoas. O antigo funcionário de TI, inseguro e desvalorizado, agora era convidado para programas de TV (como o “Faça Você Mesmo” na TV Aparecida) e exposições em shoppings no Rio de Janeiro.
A Pausa Forçada e a Arte como Cura (2023-2025)
No entanto, a vida, assim como o mar, tem suas ressacas. Entre 2023 e 2025, Gutemberg enfrentou seu período mais sombrio.
Em 2023, sua mãe sofreu um AVC, exigindo que ele parasse tudo para cuidar dela. A empresa foi fechada, as aulas interrompidas e a produção reduzida ao mínimo para sobrevivência. Em novembro de 2024, ela faleceu.
O luto mal havia se assentado quando, pouco tempo depois, seu pai — o homem que lhe apresentou o mar, seu maior incentivador e herói — descobriu um câncer. Em maio de 2025, seu pai também partiu.
Durante esse intervalo doloroso, a arte mudou de função. Deixou de ser sobre faturamento, métricas ou negócios. Tornou-se, puramente, terapia.
Nos dias mais difíceis, criar com as mãos ajudava a organizar o caos emocional. Enquanto a resina se espalhava sobre a superfície, a mente de Gutemberg conseguia respirar. Cada onda criada carregava memória, homenagem e continuidade. O mar deixou de ser apenas inspiração visual e se tornou uma presença espiritual dos seus pais.
O Retorno Consciente
Gutemberg encontrou forças para retornar, mas voltou diferente. Reabriu a empresa, retomou as aulas e a produção, mas com um novo significado.
Hoje, seu trabalho não é apenas sobre “ganhar dinheiro com artesanato”. É sobre liberdade. É sobre criar algo que sustenta emocionalmente e financeiramente, em qualquer fase da vida. É sobre provar que é possível sair de um escritório sem janelas, onde se divide um refrigerante por falta de dinheiro, para construir uma vida onde se trabalha com o que ama, sendo valorizado e bem pago por isso.
Conclusão
Responder “quem é Gutemberg Motta” é falar de alguém que decidiu não ignorar o chamado do tempo. É a história de um profissional de TI que virou artista, de um filho que honrou a memória dos pais através das ondas que cria, e de um professor que ensina processo, não talento.
O Mar de Resina não é apenas uma técnica de aplicação de epóxi. É uma filosofia de vida que une a terapia da arte com a inteligência de mercado.
Para quem busca uma forma de arte terapêutica, acessível e lucrativa; para quem ama o mar e quer trazê-lo para perto; e para quem, assim como o Gutemberg de anos atrás, procura um novo sentido para acordar todos os dias:
Seja bem-vindo ao mundo do Mar de Resina.

